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22.7.12

Primeiro Passo

Olá pessoal! Eu sou o Del e só agora tomei vergonha na cara para escrever alguma coisa. Devido a alguns problemas no nosso lar, atualmente já resolvidos, e com um grande apoio da Deb, estamos cada vez mais dispostos a comentar sobre assuntos de nossas vidas (não que isso possa ter alguma relevância para vocês, mas eu espero que sim), e de outros assuntos alheios que eu garanto que serão de grande importância e reflexão.

No momento eu quero desabafar certas coisas que passam pela minha mente. Sinto como se o mundo precisasse ouvir a minha voz, por isso que me ofereci para compartilhar mais posts nesse blog, que tudo foi planejado pela Deb graças aos seus esforços e sua mente iluminada e cheia de sonhos, como uma garota na flor da juventude deseja em sua vida. Eu, como seu noivo, quero fazer parte disso.

20.7.12

Na moda? Ah, vá!



Tô pra fazer esse post já faz uma semana, e eu ainda tenho muitas coisas pra contar (mas vai ficar pra outros posts, porque eu sou muito malvada e quero fazer suspense, [insira aqui uma risada maligna]).


Sábado à noite fui com o namorido dormir na casa da sogra, e sempre que eu vou lá ela faz meu cabelo (é cabeleireira), me dá coisas de presente (roupas novíssimas que ela comprou mas nunca usou, sapatos que ela comprou mas não serviram, acessórios que ela não usa mais, mas estão em ótimo estado, etc...). Eu sempre aceito, pois são coisas muito bonitas e realmente novas, e como sempre estou precisando de roupas, sapatos e afins, adoro ganhar de presente! Fora que também, presente de sogra não se recusa (minha sogra é ótima, gente, um amor de pessoa, e super merece pontos por ter feito meu amorzinho, rs).


Então, dentre essas coisas que ela me presenteou, havia uma bata de oncinha. Apesar de ser transparente, dava pra usar tranquilamente só ela por causa da gritante estampa, ou colocar uma segunda pele por baixo pra dar um ar mais sofisticado. Vesti, o namorido aprovou, e eu ia usá-la numa festa de aniversário de criança. No domingo, eu estava pronta, com a bata, a segunda pele, minha inseparável legging preta (não posso usar jeans porque sou gorda, TODOS CHORA), e botas de cano alto. O cabelo, impecável (aliás, eu contei que tingi de vermelho?). Eu estava me sentindo linda! Isso parecia ser o suficiente para sair de casa numa boa e encarar a festa. A bata era legal até porque super escondia minhas gordurinhas do amor. Estávamos a um passo de sair de casa quando perguntei à sogrinha, olhando-me no espelho, "não estou muito gorda ou muito brega com essa estamparia toda?". Eis que ela me responde "imagina! Tá super na moda, tá todo mundo usando!"


Broxei.


As palavras "tá na moda" e "tá todo mundo usando" me deixam nervosa. Nunca gostei do que "tá na moda", sempre detestei o que "tá todo mundo usando". Algumas peças até uso, porque realmente ficam boas no meu corpo-barril. Mas tem coisa que não me desce. Encarei o espelho à minha frente e, repentinamente, o que eu estava usando parecia ridículo. Me senti mais gorda, desconfortável e esquisita. Debbie na moda? Ah, vá!


Sempre busquei um estilo próprio, e mesmo não sendo super-hiper-mega-estilosa, gosto do que uso: camisetas, jeans ou leggings básicas, all star... Até simpatizo com moda e meu sonho é usar mais vintage, mas sabe quando tem coisa que não é?! Não sei se me entende... Não gosto de parecer com outras pessoas quando me visto, não gosto de produção demais, não curto moda tanto assim - como eu disse, simpatizo, não quer dizer que eu seja modamaníaca.


Rapidamente, fui até o banheiro com outra muda de roupas e me troquei. Saí do banheiro e ela disse "estava tão linda, Débora! Tá todo mundo usando... Tá na moda... Por quê trocou?" Eu disse que estava desconfortável e me sentindo gorda demais e ela "mas não, tá na moda! Batas escondem as gordurinhas, aquela tava ótima! Todo mundo tá usando aquilo!" Sério, ela repetiu que tá-todo-mundo-usando e que tá-na-moda umas trezentas e cinquenta e sete vezes. Na boa mesmo?! Prefiro estar confortável do que na moda. Ninguém tem o direito de ditar o que está na moda e o que as outras pessoas devem vestir.


Resumindo, tô fora. Não estou, nunca estive e nunca estarei na moda. Se você está, ótimo, desde que se sinta bem com isso. Acho até lindo quando alguém tem um estilo fodão! Mas eu não me sinto bem e não sou obrigada a forçar um "conforto" com isso só pra agradar a sogra - ou a sociedade!


Volto, então, às minhas camisas de banda, ao meu velho, rasgado e sujo all star, e à minha calça legging que já está quase indo embora sozinha de tanto eu usá-la.


Beijo :*


Abaixo a ditadura da Moda.

15.5.12

A Mala dos Sentimentos


Dentro daquela mala havia todo tipo possível de sentimentos. Raiva, paixão, ódio, entre outros. Havia sonhos também. Abri a mala e peguei um pouco de compaixão. Fui andando por todos os tipos de lugares, carregando a compaixão numa mão e a pesada mala de sentimentos na outra. A compaixão crescia e logo se tornava pesada também, o que fazia com que eu distribuísse um pouco dela a cada pessoa que via passar a meu lado.


Caminhei numa avenida lotada de pessoas, gente de todos os tipos, pessoas animadas, pessoas tristes, negros, amarelos, brancos... Sempre gostei muito de gente, portanto, adorava aquilo, aquela agitação matinal. Guardei a compaixão na mala e peguei a alegria, que cintilava cada vez mais. A alegria me fez sorrir. Eu passava pra todos a minha alegria, fazendo com que todos sorrissem também. A alegria tinha um colorido, que me lembrava muito o brilho de fogos de artifício que todos soltam em cada fim de ano e início de outro.

A avenida lotada deu lugar a uma estrada larga repleta de terra batida em volta. Conforme os poucos carros passavam, e também o vento vinha, a poeira subia, fazendo com que eu guardasse a alegria na mala e pegasse a nostalgia. Parei na estrada e olhei para trás, vendo todo aquele brilho de cidade em festa bem ao longe. Eu não mais pertencia àquele lugar. Suspirei e percebi o quanto estava exausta. Porém eu não podia parar de caminhar.

Continuei andando, tendo em mente meu único rumo. Suspirei novamente e guardei a nostalgia na mala, dando lugar à melancolia. Eu estava completamente sozinha, andando desde manhã, e agora já era tarde. O sol não estava mais à pino, mas ainda assim esquentava absurdamente. Eu suava, e algumas teimosas lágrimas misturavam-se com esse suor. Eu não gostava de estar sozinha... Eu queria ter alguém por perto, que compartilhasse comigo essa vida nômade. Que simplesmente me ajudasse a carregar aquela mala pesadíssima de sentimentos. Chorei.

A estrada de terra batida deu lugar a um pequeno vilarejo, com pequenas casas de madeira por todo lado. Aquele vilarejo me fez sorrir, sua calmaria fizera-me perceber que aquele sim era meu verdadeiro lugar. Um lugar fixo, eu finalmente poderia parar de andar. Mas eu não tinha nada comigo, a não ser aquela mala carregada de sentimentos e as roupas do corpo. Eu precisava de um lugar para ficar.

De casa em casa eu batia e pedia abrigo e comida, mas quase sempre me era recusado. Bati numa casinha verde musgo com o telhado meio surrado.

– Não dou abrigo a pessoas como você! – guardei a melancolia e peguei então a raiva. E que tipo de pessoa era eu? Eu só estava pedindo abrigo, um lugar para me proteger do frio e da chuva que chegariam a seguir! Eu não a estava assaltando, roubando sua casa, só estava pedindo!

Bati em outra porta, uma casinha amarela meio suja de lodo nas portas, e uma senhorinha muito simpática me deu lugar. Substituí a raiva em minha mão, por piedade.

– Obrigada, senhora.
– Por nada, querida... Fique aqui com meu filho, vou comprar comida na Mercearia.

Sentei-me no sofá e deixei a mala ali, a meu lado. O filho da senhorinha estava sentado a minha frente, na poltrona velha de cor vermelha. Um silêncio pairou. Tirei da mala o constrangimento.

– Então, você vem de muito longe?
– Sim, senhor. Passei o dia caminhando, sem comida nem água, e nem mesmo um pouco de descanso.
– Então só está parando agora? – levantou-se da poltrona e veio em minha direção.
– Sim, senhor.
– Você deve estar buscando um pouco de diversão... Você sabe, para relaxar... – jogou-se por cima de mim, tentando abusar-me. Eu não tinha mais tantas forças, então estiquei minha mão e puxei de lá o ódio. Com forças suficientes, joguei-o na cara do homem, que sentia o ácido do ódio queimando seus olhos. Afastou-se gritando e então expulsou-me de sua casa.

Corrida como um cão sarnento, saí da casa do homem e da senhorinha. Fui andando até a porta de um estabelecimento qualquer que estava abandonado e lá sentei. Tirei a tristeza e o abandono da mala e comecei a chorar. Chorava por estar sozinha, por ter sido escorraçada, por simplesmente medo e também por vergonha. Tantos sentimentos ruins ao mesmo tempo.
Senti a aproximação de alguém e tirei a rispidez da mala. Afastei-me ao toque em meu ombro e rosnei ordenando que não me tocasse. Escondendo o rosto em meus braços, olhei pelo vão da camisa e vi um sorriso cintilante.

– Acalme-se... Posso ajuda-la? – perguntou-me com uma voz muito doce.
– Não! – gritei rispidamente e saí correndo, arrastando a mala atrás de mim.

Quase no fim do vilarejo, no alto de uma pequena inclinação, havia uma casinha branca muito pequena. Estava com as portas abertas. Tirei de dentro da mala o embaraço e fui caminhando lentamente para dentro da residência.

– Há alguém aí? – murmurei. – Alguém? – perguntei. Percebi que havia sobre o fogão de lenha algumas panelas velhas, e, faminta como eu estava, notei um cheiro de comida maravilhosamente bom. Arrastei a mala comigo até o fogão e peguei um pequeno pote de barro que estava ao lado. Havia uma Sopa de Letrinhas Mágicas na panela maior. Peguei um pouco dela e alcancei uma colher na pia. Sempre com a mala, arrastei-a até o lado da mesa e sentei, comendo ardorosamente.
– Está boa essa sopa? – perguntou-me o dono da voz doce e da casinha. Engasguei e comecei a tossir.

O homem veio em minha direção lentamente, sorrindo. Tirei o medo da mala e fiquei preparada para atacá-lo.

– Hey... Calma, só quero ajuda-la, mocinha. Você está com um machucado na testa, e precisa de um banho. Há um banheiro no quartinho dos fundos, você poderá usá-lo quando acabar de comer. E se quiser descansar, arrumarei a cama para você. Só peço que não tenha medo de mim... Só quero ajudar você a tirar essa angústia das mãos.

Eu não havia percebido... Mas o caminho inteiro, desde quando saí pela manhã, até agora nessa madrugada, eu havia carregado um peso maior ainda nas mãos: a angústia. Sorri fracamente para o homem. Ninguém via os meus sentimentos, mas... ele viu.

Após comer duas cumbucas da Sopa de Letrinhas Mágicas, fui tomar um banho e tirar o medo de mim, que já estava impregnado em minha pele. Após o banho, vesti roupas limpas, que o homem emprestara para mim. Eram do meu tamanho. Eu ia deitar-me, mas então ele chamou-me na sala.

– Mocinha, eu tenho uma coisa pra te mostrar! – corri até a sala, arrastando as meias (as únicas coisas grandes que eu usava). Quando cheguei na sala, vi o homem de pé.
– Sim, senhor?
– Venha comigo até aqui, mocinha.
– Para onde, senhor?
– Meu quarto.

Uma nova onda de um novo medo veio em minhas mãos e percorreu meu ser. Eu seria atacada novamente, teria meu coração partido novamente?

– Calma. – disse ele tocando meu ombro, percebendo minha hesitação. Pegou minha mão entre as dele e me levou até seu quarto, caminhando como se estivesse flutuando. – Espere. – murmurou. – Aqui. – apontou para um guarda-roupa velho. – Aqui está minha mala.

Quando ele abriu o guarda-roupa, surpreendi-me. Sua bagagem era maior que a minha, havia muito mais sentimentos ali dentro.

– Sabe sua angústia? – perguntou-me.
– O que tem ela? – franzi as sobrancelhas.
– Eu a tomei de você... Espero que não se importe. – sorriu fracamente.

Abri a boca e arregalei os olhos. Que audácia, pensei, como pôde tirar a minha angústia de mim? Eu estava ligeiramente indignada, mas não falei nada. Logo em seguida a indignação voltou para a mala, dando lugar à compreensão.

– Eu não me importo... Mas o que fez com ela? – indaguei.
– Eu guardei dentro de minha mala... Não queria mais que você sentisse essa dor, então a tirei de você e guardei-a bem longe.
– Jogue-a fora, por favor... Não quero que fique com minha angústia para você.

O homem tomou minhas mãos entre as dele e eu me senti aquecida. Percebi que o sentimento de empatia saiu sozinho de dentro da mala e veio parar ao nosso lado. Coloquei-me no lugar dele, e ele colocou-se no meu.

– Qualquer dor que você sinta, me atingirá. Se sua angústia estiver longe de você, então estará longe de mim também. Venho sentindo o mesmo que você desde muito antes de tê-la conhecido, mas ninguém nunca soube de nada... Só quando você chegou foi que percebi o quanto somos semelhantes.

Foi isso o que li em vários livros antes de iniciar minha caminhada. Almas irmãs, almas gêmeas, almas perdidas que se encontram e se envolvem. Pois então, num surto de magia, uma luz vermelha saiu de dentro de nosso peito – tanto o dele quanto o meu. Envolveu a sala numa explosão e, quando dei por mim, estava-o beijando. E o mais incrível, ele estava me beijando também.

E então percebi... A luz vermelha, cintilante e perfumada que havia nos envolvido, era nada mais que meu rumo que havia sido achado. Encontrei o sentimento que faltava em minha mala.

Encontrei o amor.

2.5.12

Dos meus desejos de ser diferente

Acometida por uma insatisfação repentina com a minha vida e com quem eu sou, surge o seguinte diálogo entre eu e o namorido:


– Queria ser diferente.
– Por quê?
– Porque eu queria.

Não há motivos. Eu simplesmente queria ser diferente. Mais magra. Mais alta. Com certeza mais decidida. Não queria ser tão inconstante, nem tão paranoica, nem tão neurótica. Queria ser diferente física, intelectual e emocionalmente. Mas eu nasci assim, e confesso, eu gosto. Esse é um dos pontos da minha inconstância: eu gosto, mas não gosto, eu quero, mas não quero. Eu sou, mas não sou.
Embora eu tente me convencer que não tenho personalidade, já me disseram uma vez que esse é um charme, uma coisa que só eu tenho, uma coisa minha. Giro novamente em torno do meu próprio umbigo e percebo que eu não mudaria nem um único ponto da minha personalidade estranha – porque é assim que eu sou. Sábias palavras de Lispector, “é assim porque é assim”. E, pode parecer complicado de entender, mas eu estou feliz com quem eu sou.
Me sinto satisfeita, mesmo incompleta. Me sinto completa, mesmo insatisfeita.

PS: Talvez eu adicionasse só um pouquinho mais de extroversão e impulsividade a minha personalidade. Só um pouquinho.
PS²: Graças a uma profunda reflexão, não vou deletar o blog. Só vou acrescentar aos pouquinhos um foco para ele, já que ele não tem nenhum :}



25.4.12

Complexo de Peter Pan




Altas horas da madrugada, precisamente às 2h30. Finalmente bocejo, após um longo tempo esperando o sono vir. De banho tomado e roupinha confortável, deitei-me ao lado do namorado. Às 4h30, ele me acordou pra preparar o café da manhã. Levantei e, enquanto ele tomava banho, eu fiz o café, deixei tudo prontinho.
“Que horas você foi dormir?” Perguntou enquanto comia.
“Ah, nem vi.”
“Eu vi, e eram umas 2h e pouco da manhã...”
“Então porque perguntou que horas fui dormir?” Respondi meio mal-humorada.
“Pra ter certeza, só isso, nervosinha!” Disse ele com os olhos arregalados.
Ainda sonolenta, descabelada e toda amassada, fui escovar meus dentes.
“Percebi que você não anda dormindo bem nas últimas semanas.”
“E...?” Respondi com a boca cheia de pasta de dentes.
“E... Eu acho que tem algo te preocupando... Te conheço, baixinha.” Murmurou ele enquanto bebia o café.
Terminei de escovar os dentes e sentei ao seu lado na mesa, servindo-me apenas de café com leite. Bebendo vagarosamente, suspirei.
“Esses suspiros não mentem... Qual é o problema?”
“O problema é que amanhã é o meu aniversário”
Aí comecei a filosofar, ninguém mandou dar brecha:
“A cada ano que se passa, vai ficando mais sem graça de comemorar os aniversários. A gente começa a perceber que tá ficando velha, decrépita, caquética e morrendo aos poucos. É cada ano mais nostálgico. Quando eu chegar aos meus 40 anos, não vou ter mais pique nenhum pra comemorar nada! Raciocina comigo: cada vez que aniversariamos, a gente vai chegando mais e mais perto da morte. É como uma contagem regressiva, só que sem previsão de término. Temos um prazo de validade. É estranho e, de certa forma, dói, fere, machuca. O vigor da vida vai saindo da gente a cada ano que chega e passa. Eu queria ser como Peter Pan, uma eterna criança, nunca envelhecer, estar sempre jovem, feliz... Começo a odiar aniversários quando penso nisso.”
“Então não pense.” Disse ele sorridente. “Quanto mais você pensa, com mais estresse fica e mais fios brancos aparecem. E outra: aniversários não são feitos para que a gente pense nessas coisas depreciativas. Eles são feitos como forma de comemorar nossas realizações pessoais, as coisas que conseguimos fazer até aquela data. Eles servem pra que nossos amigos comemorem nossa chegada ao mundo. Aniversários também servem como um ponto de partida para abrir novas portas e começar novos projetos. Eles servem pra uma porção de coisas boas, sua boba.” Sorriu e me abraçou. “Agora eu vou indo, tô atrasado!”
Pegou sua pasta e saiu. E eu fiquei aqui, refletindo no que me foi dito. Cheguei à conclusão de que nem tudo está perdido. Quero me olhar no espelho um dia e ser uma contadora de histórias! Ter uma história pra contar em cada ruga, em cada fio de cabelo branco, em cada vez que eu for tomar meu remédio de osteoporose...
Sorri. Começo a adorar aniversários quando penso nisso.




PS: sim, amanhã esta blogueira que vos tecla completará 21 anos de idade.

6.4.12

4 Anos de Pedrinho


Na madrugada de 6 de Abril de 2008, me lembro como se tivesse sido nessa madrugada, às 2h da manhã, gritava eu na sala de pré-parto, entorpecida pela dor. Xingava em oitenta línguas diferentes - naquela noite eu era poliglota, falava até em dialeto Inca. Berrava para que tirassem aquele alien de dentro de mim. A cada cinco minutos, uma enfermeira velha e caquética introduzia dois dedos em mim, sempre com o mesmo discurso:
- Ainda não está pronta... Aguente mais uns minutinhos, minha filha.
No ápice de minha dor, só queria xingá-la de filha de uma mulher da vida, queria dizer para ela tomar no meio de seu respectivo orifício circular corrugado, que se ela não tirasse aquele menino de dentro de mim em cinco minutos, eu ia fazer da vida dela um inferno.
Então, como um anjo, surgiu aquela aparição maravilhosa de uma médica de longos cabelos ruivos e olhos verdes, dizendo com sua suave voz:
- Prepare a sala de parto, ela finalmente está pronta.
Quase gritei de alegria naquele momento, mas a dor me impedia de ser feliz... Aí, a enfermeira velha e caquética me pediu docemente para subir na maca. Eu já não conseguia fechar as pernas e ela queria que eu saísse do conforto da cama de pré-parto para subir na maca com minhas próprias pernas. Com raiva, aproveitei o curto espaço de cinco segundos sem contrações e pulei sobre a maca, já me deitando. Um grito me assustou, era a enfermeira velha e caquética:
- Meu Deus, está coroando! Precisamos correr!
O que diabos era "coroando", naquele tempo eu não sabia. Acreditava que estava chegando em minha vida mais um príncipe - olha, que bonito! Naquela altura, já se passavam das 16h30 da tarde. Sim, a madrugada inteira e boa parte do dia em dor profunda.
- Força, criança! - dizia a médica-anjo.
- Criança que faz criança não é mais criança, hehe - dizia a enfermeira velha e caquética.
"Muito engraçada essa sua piada, velha malcomida, nunca tinha ouvido", pensei com desdém.
E então, em um segundo empurrei a barriga para baixo e não senti mais dor. Fechei os olhos e senti apenas um pequeno peso em mim, como se fosse um saco de 3kg e meio de grãos. Tão leve. Olhei para baixo e lá estava ele. Todo ensebado, ensanguentado, chorando "fofamente", com seus grandes olhos verde-escuros me encarando. Estava vermelho. E eu, só chorava junto, sem força nos braços para segurá-lo comigo. Mas consegui, o abracei e, sim, sem nojo algum, beijei sua cabeça de ralos e gosmentos cabelos negros e espetados.
Aquele foi o segundo momento mais feliz da minha vida. Me sentia plena. Plena e feliz, somente essas palavras me vem à mente agora.

 ♥


21.3.12

Sobre projetos inacabados, desorganização e força de vontade.


         Eu queria falar o quanto minha vida é interessante e o quanto tenho feitos coisas novas e diferentes. Queria dizer que estou plenamente feliz, que vivo uma vida de sonhos e de desejos realizados. Queria poder mostrar para todo mundo que minha vida está tomando um novo rumo...
           Mas eu não posso!
           Não posso mentir que estou tomada pelo ócio, pelo tédio, pela frustração de não conseguir fazer tudo aquilo que eu gostaria de fazer, frustração pelos projetos inacabados e também pelos projetos que tinha esperança de colocar em prática. Vejo os dias passando por mim, um a um, e já estamos quase no fim de Março! Tenho tanta coisa pra resolver, mas a falta de força de vontade me domina. A desorganização toma conta de mim, e eu sei por onde começar, mas... Por que eu não consigo? Por que eu deixo a vida parar? Por quê?
         Eu QUERO fazer alguma coisa produtiva, algo que faça minha vida mudar de verdade, mas tenho muitas limitações. Tenho vergonha de dizer – mas ainda assim, eu vou dizer – que é tudo culpa minha. Tudo ao meu redor está parado, e eu quero que as coisas voltem a funcionar. O início, só eu posso dar. Aos poucos, será que consigo me resolver?
          As bagunças da minha vida e da minha mente se refletem até mesmo no ambiente onde vivo: muita roupa pra lavar, uma casa pra limpar, os estudos inacabados, textos e estórias sem final. Às vezes me pego pensando “porque, Débora, porque diabos você não termina nada do que começa?” Ainda não encontrei resposta plausível, a não ser aquela velha desculpa de perda de interesse pelas coisas que antes me ‘obcecavam’.
           Uma dica pra você, que está na mesma situação, ou em algo parecido: não deixe seus sonhos pra lá, não deixe que as coisas fiquem piores do que já estão, não deixe nada te parar... Não desista!
            Eu desisti. Eu desisti, mas eu sei que ainda há volta – e eu estou oficialmente voltando.

2.3.12

Mudar com o coração (2)

Eu tô na maior vibe de mudança, e trouxe pra vocês um texto da minha amada irmã de alma e amiga da internéte. O texto é maravilhoso, vale a pena toda a leitura dele para reflexão.
Um beijo,
Deb.


29.2.12

Mudar com o coração


Quando ultrapassamos o limite de nossas ações, tudo começa a sair do controle. E então é preciso agir de uma forma diferente, mudar.
Não adianta desejar que tudo seja como era antigamente, as coisas ruins se vão com o tempo e as coisas boas deixam aprendizado. Não tenho motivos para chorar as perdas que vivi, não faz sentido algum. O que me resta é seguir em frente, a cabeça erguida, o coração batendo forte no peito, a força de vontade nas mãos. Tenho todas as armas pra ser feliz, cabe a mim mudar e fazer acontecer.
Não esquecer o passado, mas deixá-lo como lembrança no fundo da gaveta. Pensar somente sobre as coisas maravilhosas que o futuro me reserva.

19.1.12

Vida Light #3 - Mudança de Hábito


Correria, tempo curto, cansaço imenso, desorganização... Esses, ultimamente, tem sido os quatro principais fatores recorrentes na minha vida. Uma falta de interesse nas coisas que antes eram imprescindíveis pra mim: internet, sair com os amigos, beber um pouco e, principalmente, o trabalho.
A internet pra mim já havia perdido grande parte da graça quando fiquei distante por uns meses. Sair com os amigos já é um sonho difícil de se realizar, por causa do clima, do tempo, de grana, inúmeras "desculpas"... Beber, só em dia de festa, ou seja, minha ultima cerveja foi no ano novo (e eu mal sinto falta de uma cervejinha no finde...).
Já o trabalho, que me empolgou muito no começo, tem me deixado constantemente estressada, cansada, dolorida. Às vezes, não quero nem passar perto de lá...tenho me atrasado e faltado muito, o que, eu sei, vai causar um grande problema pra mim futuramente... Mas mesmo assim, é difícil mudar hábitos quando você já os tem há um bom tempo.

E é sobre hábitos que vim falar hoje. Hábitos, mudanças... Mudança de hábito!

Cansei de fazer promessas que eu sei que não irei cumprir. Eu me conheço. Mas há uma coisa em mim, dizendo que é realmente necessário fazer mudanças... Mas sem prometer antes, porque eu nunca cumpro o que prometo.

As mudanças que eu fiz nesses últimos dias foram poucas, mas já muito significativas pra mim. A princípio, a única coisa que eu quero muito mudar, é o terrível hábito da falta de comprometimento... E no geral. Falta comprometimento meu no trabalho, falta comprometimento meu nos estudos, falta comprometimento meu em qualquer aspecto da minha vida. E toda essa falta de comprometimento afeta diretamente minha saúde, me deixando fisicamente debilitada. Porque, se não me comprometo com algo, tudo sai errado, e eu me estresso.

E volto à estaca zero dos planos que tinha.

Minha falta de organização também estava alarmante, mas já dei meu jeitinho brasileiro com um caderninho que me serve de Guia:
Não saio de casa sem esse caderninho, e sempre que tenho alguma ideia ou solução pra um problema, recorro à ele pra não me esquecer. Lá estão meus planos a curto, médio e longo prazo, coisas que iniciarei em 2012, minhas metas, meus sonhos, tudo escrito bonitinho pra não ser esquecido por um lapso qualquer de memória.

E no fim, o que eu queria mesmo dizer, é que me sinto extremamente culpada pelo modo como tenho vivido minha vida. Sinto, às vezes, vergonha de mim mesma. Da maneira como deixo as coisas passarem por mim, sem ligar a mínima pra isso, ou o jeito que deixo de fazer coisas importantes e acabo me dando mal... É isso, me sinto culpada por fazer coisas que eu poderia muito bem evitar, mas não evito.

O meu erro é esse. Não posso prometer mudar, mas sei que, daqui pra frente, farei o possível pra não errar os mesmos erros desse jeito.


Beijos, Deb.

7.12.11

Something's wrong.

Eu queria ter a capacidade de apagar certos sentimentos dentro de mim. Queimá-los. Na melhor das hipóteses, matá-lo. Excluir completamente o desejo de estar junto de você e não poder. Deletar do meu coração qualquer vestígio teu que faz com que eu sonhe contigo. Porque, por mais que eu tente, não vejo forma de esquecer seu sorriso. Meu coração fraco dói cada vez que penso em você, é como um raio de tristeza perfurando a carne, um espinho que não sai.
Sim, eu queria matar você - mas só dentro de mim. Só por um tempo... o suficiente pra conseguir seguir a vida como se você nunca tivesse estado nela.
Sem dor.
Sem ilusões.
Sem decepções.


22.11.11

Rotina

Pele branca, cabelos castanhos que caem lisos sobre os ombros, lábios róseos, olhos grandes cor de chocolate amargo.
Não apenas a cor.

Todo o amargor da vida ela esconde naqueles olhos doces.

Suas mãos acariciam suavemente o lugar onde havia uma pedra em formato de coração, seu peito.

- Por hoje chega. Já fiz demais. - lamenta-se silenciosamente enquanto segura firme a garganta com o choro contido.

Desde pequena sonha com o amor, mas sempre que o tem, este lhe escorre pelos dedos. Sempre enganada, seu destino é ser só.

E assim ela existe. Passa pela vida como o vento cruza a terra.


Texto Meu.

3.11.11

Je T'aime

Pego suas mãos e as guio pelos pontos mais sensíveis de meu corpo. Te beijo suave, como quem sente medo de o sonho desmanchar-se sob os lábios. Os olhos fecham-se, na esperança de ter as mais variadas sensações. A respiração vai ofegando-se num ritmo lento, logo seguido por um beijo cálido, que me faz tremer. Não mais respiro. Somente sinto.

A ânsia de ser tua me enlouquece, apenas o pensamento faz-me sentir arrepios. Arrepios estes que percorrem minha espinha, fazendo com que eu abra os meus olhos e te olhe no fundo dos teus. Queria decifrar seus pensamentos, saber o que se passa dentro de si, poder realizar tudo aquilo que tu sempre quiseste.

Quero ser tua hoje, amanhã e sempre. Quero somente ser tua. Entregar-me às suas carícias como se elas fossem meu maior presente, mas não… Meu maior presente não são suas carícias… É você, tudo aquilo pelo qual tenho pedido aos céus, tudo aquilo que me move… Tudo.

Fecho os olhos novamente, querendo agora decifrar-te com a pele, com o toque, com os meus dedos. Sentir-te, vezes sem conta, apenas sentir-te. Saber que és meu, que és tudo o que sempre quis. E beijo-te. Beijo-te como se fosse a primeira (ou a última!) vez. E todas as regras que eu tinha, todas estão quebradas, imóveis num oceano de lágrimas. Choro. Mas são lágrimas doces, de alegria, sinto-me feliz… Completa.

Tenho certeza que encontrei a mim mesma num simples gesto teu. Sorrio. Abro os olhos e vejo seu rosto tão puro, e desejo correr e me atirar em você… Queria demonstrar tudo o que sinto, e tudo o que me faz sentir. O coração dispara, me sinto segura, tão aquecida nos braços teus. Meu coração está tão cheio de amor, e esse amor transborda pelos olhos, e pelo meu corpo só sinto as suas mãos e eu não quero mais parar de sentir o seu toque.

Estou certa que estou completamente apaixonada, e completamente maluca, e completamente maravilhada, estou surpresa… Surpresa por estar sentindo isso novamente. São seus olhos, seus olhos que me mostram tudo o que você também sente por mim. E então eu só tenho um desejo…

O desejo de te sentir cada vez mais.




29.10.11

Solidão


… Que minha solidão me sirva de companhia.
Que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.

(Clarice Lispector)

26.10.11

Eu digo SIM






Quando eu me casei, descobri que tudo o que me disseram sobre uniões estava errado.

Primeiro engano: casamento não é consequência de um amor romântico. Embora tenha lá sua contribuição no começo da história, o sentimento explosivo dos livros e das novelas vira é paixonite, caso, namoro. Mas o que leva mesmo alguém a dividir a vida com outro alguém tem mais a ver com outro tipo de amor – o amor profundo e inesgotável da amizade.

Sabe quando a gente era criança e não conseguia se desgrudar da melhor amiga? Aquela pessoa pra quem se podia contar qualquer coisa e fazer todos os planos mais improváveis? A companhia não enjoava, assunto não faltava, não havia vergonhas. Tdo era tão simples... Então, esse é o meu marido. Não é o meu p´ríncipe. É o meu melhor amigo no mundo. E foi porque tudo é possível e melhor quando estamos juntos, que eu lhe disse sim.

Casamento, eu também descobri, não tem a ver com encontrar o par perfeito, que se encaixa sem arestas. Na minha história, é sobre respeitar alguém diferente, o que exige negociações diárias e infinitas. Desde chegarmos ao consenso de onde vai ficar a estante nova, até decidirmos quando virão os filhos, raramente concordamos de primeira. E o mais bonito não é pensar tudo igual, na linha oh-fomos-feitos-um-para-o-outro!, mas nos descobrirmos capazes de aprender juntos e de cultivar a generosidade de ouvir, entender, ceder, somar.

Casamento, eu sei agora, não tem a ver com paixão. Ou, pelo menos, não com o tipo que nos vendem, dessas cegas, que se põe acima de tudo. Na real, é o contrário. Casamento – o meu, ao menos – vive é da admiração da verdade do outro. Enxergá-lo como é, e não como a gente desejaria que fosse. Sem filtros nem disfarces, sob a luz da intimidade e da rotina. Com todos os humores que oscilam, as falhas que temos, os nossos desacordos. E é exatamente por conhecê-lo tão bem, que posso admirá-lo por inteiro, e me encantar a cada descoberta.

Num casamento, fui ver, as grandes declarações não vêm de helicópteros jogando rosas no telhado. Embora o pedido tenha sido de filme, no dia a dia, assim como as melhores coisas da vida, o amor me surpreende nos momentos mais simples. Como ouvir uma cantada dele quando estou com a cara amassada de sono ou vê-lo fazendo piadas quando estou de mau humor. Me derreto com um "Tava morrendo de saudade" depois de poucas horas longe e com a companhia silenciosa enquanto tenho de trabalhar. As gentilezas, assim, fazem todos os nossos dias especiais, não só os marcados no calendário.

Casamento, eu entendi, tampouco é garantia. Os vazios que eu tinha em mim continuam a existir. As incertezas do que fazer da vida ainda são as mesmas. Minhas contas a pagar, minha aflição de ter o coração partido, meu complexo com o corpo, minhas infelicidades particulares: quando a gente casa, não sara. Mas dividir tudo isso quando chego em casa me dá forças que não sabia ter, e uma razão maior para resolver tudo: quero ser feliz comigo para, assim, ser mais feliz com ele.

Por fim, eu aprendi que casamento não é para sempre. É para agora. Não se trata de uma promessa única, mas de um compromisso que se renova a cada manhã, a cada surpresa, a cada briga, a cada reencontro. A vida é cheia de encruzilhadas. E, a cada vez que encontramos uma, temos de decidir novamente se vamos continuar seguindo o mesmo caminho, lado a lado. Eu não me casei uma vez só. Eu me caso com o Artur todos os dias.

E é só assim, esquecendo as ideias prontas, que acredito que o romance permance, nos tornamos um par de verdade, a paixão supera a passagem do tempo e vamos passar o resto da vida juntos. Não é um conto de fadas. Mas é a maior história de amor que conheço, porque ela é real – porque ela é minha. E, quando a gente acha que o que temos é o melhor do mundo, aí, sim, é que se ouvem os fogos de artifício.

(...)

Espero que inspire você também a se apaixonar, seja pelo mesmo, seja pelo novo, e a viver cada encontro (e cada desencontro) como se fosse a primeira e a última vez.

Roberta Faria (Editora-Chefe da revista Sorria)

29.8.11

O Anjo

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Amanheceu chuvoso, tristonho, doloroso. Suspirei e caminhei a passos pesados da janela à minha cama, onde estava estendido num papel perfumado seu melhor poema, Anjo de Luz.

    Depois de lê-lo por quase três vezes, fechei os olhos e tentei enxergar o meu coração. O meu ponto de luz menor que um átomo. Ele não deve estar preparado pra mim, Michael. De qualquer modo, continuarei tentando enxergar dentro de mim, um dia terei a honra de conhecer meu anjo.

    Levantei a cabeça e olhei ao redor, no teto.

    “Michael”, chamei em pensamento. Nenhum som, nenhum movimento.

    – Michael – falei em um tom mais alto.

    Bem, você não veio. Ouvi um sussurro na brisa incandescente de meu pequeno quarto...

    “Eu estou aqui com você”.

    – Michael? – murmurei novamente. Algo só pra mim, ninguém poderia saber. – Onde está você, meu anjo? – sua linda voz se calou. “Devo estar enlouquecendo!”, pensei.

    “Você não está sozinha”.

    – Eu sei que não estou... – sussurrei para a voz e sorri.

    Senti como se uma pequena chama estivesse aquecendo meu coração. O buraco que havia ali pela tua ausência não mais estava tão dolorido. Ainda tenho dificuldade para respirar e sinto suas lágrimas escorrendo dentro do meu peito, mas agora sei que você está aqui comigo.

    Pra ser sincera a dor não cessou. Porque a sua voz mágica me ilumina e ao mesmo tempo me entristece. Quando penso em você, a primeira imagem que me vem é a do seu sorriso e o primeiro som é seu riso feliz de menino crescido apenas por fora. Quando penso em você, eu sinto a sua dor, o seu clamor, as suas dúvidas. Quando penso em você, meu coração se estilhaça em milhares de pedaços, e os pedaços estão ficando cada vez menores, porque eu penso em você o tempo todo.

    Onde está meu anjo agora? Meu coração se apertou como se uma mão enorme o estivesse estraçalhando, machucando, moendo, sufocando. Puxei o ar numa golfada e deixei que o nó de minha garganta se desfizesse em lágrimas pesadas e profundas.

    – Onde está você? – murmurei curvando-me no chão, lavando-o com minha tristeza.
   
    “Estou no seu coração”.
   
    Olhei para cima e minhas lágrimas deixaram-me ver apenas a sua silhueta embaçada, suas grandes asas e sua luz angustiantemente bela.
   
    – Anjo? – sussurrei segurando sua mão suave.
   
    “Sussurre três palavras e eu virei correndo”

    Você sorriu pra mim e me puxou num abraço reconfortante. Suas grandes mãos acariciaram meu rosto secando o caminho que minhas lágrimas fizeram e você então colou os lábios na minha testa, passando-me paz, ânimo e coragem.

    O meu anjo é você, estou convicta. O meu anjo é teu sorriso, o meu anjo é tua palavra, tua música, tua verdade, tua melodia. O meu anjo é tudo aquilo que você é, é tua inocência, tua bondade, tua paixão e teu amor. O meu anjo é você. Estou convicta.

~*~

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